O senhor do taxi

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Ontem a noite o alarme do meu carro estava frescando ( acho que a bateria do chaveiro está fraca ) e hj, mesmo atrasado, resolvi deixar o carro em casa ( e não correr o risco de ficar no meio da rua, com o alarme apitando feito um doido… ) e fui pegar um táxi num ponto de táxi ali perto de casa. Eu há muito fui um cliente assíduo daquele ponto, e hj só havia um táxi, um senhor que, apesar de o conhecer há um longo tempo, não lembro o nome dele ( sou péssimo para lembrar nomes ).

- E aí, mestre, ta livre?
- Oooo, to, vamos!

Entrei no táxi e fui perguntando o básico:

- Quanto tempo, hein, Mestre, como anda a vida?
- Mais ou menos, meu patrão… acabei de ficar viúvo…
- … putz!
- vinte e sete anos de casado …
- Faz quanto tempo que aconteceu?
- 3 meses…

Silêncio, nó na garganta… tentei mudar de assunto:

- Outro dia peguei táxi aqui com o Seu Carlos e ele ficou todo surpreso quando eu disse que sou amigo da filha dele, que a gente se conheceu no teatro…
- É, seu Carlos é uma pessoa muito boa… Eu também perdi uma pessoa muito boa…
- Ooo Mestre, eu imagino como deve estar difícil pro senhor isso…
-É …
- É fogo que nem posso dizer para o senhor sair dessa… as pessoas vão dizer para o senhor sair dessa, mas não é assim. Precisamos viver os momentos, e o do senhor agora é o momento de estar com essa dor, pra o senhor amadurecer com ela, e assim, só sair dela quando realmente se sentir preparado para seguir adiante, e não pq as pessoas te dizem para sair dela…

A viagem acabou, o táxi parou, eu paguei a corrida … e o senhor caiu no choro…
-  Mestre, eu me lebro quando meu tio morreu. Eu fui um dos que carregaram o caixão, e lembro do dia seguinte, quando olhei pra janela do meu quarto e vi um dia de sol… a vida continua, mestre, e a gente tem que aceitar isso…

Agora, escrevendo, não sei se fiz bem em dizer essa ultima frase… veio sem pensar, no piloto automático… ele me pediu desculpas por ter chorado. Disse a ele que não havia do que se desculpar.  Deixei meu cartão com ele, e disse que se quiser conversar, pode me procurar. Achei que era o certo a se fazer…

Nesse caminho foi impossível não pensar em Nay, na nossa relação…  Se conosco, que temos sete meses de namoro, uma simples separação seria algo doloroso, sentiríamos falta um do ouro, imagina esse senhor, com seus vinte e sete anos de companherismo, de estar com aquela  copanheira ali do seu lado, de tantos momentos junto, afinidades, discordâncias, risos, lagrimas, suoers…

Tô com o coração apertado hj. Eu sei que, com o tempo ele se folga e volta ao normal, mas hj, específicamente hj, to com ele apertado, tanto por solidariedade ao meu amigo taxista e sua dor, Só de me colocar no lugar dele, dói…

Vai passar, meu amigo, vai passar…tudo ao seu tempo.

This entry was posted on terça-feira, novembro 10th, 2009 at 2:12 pm and is filed under Emoção, Regime, Sensações. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

1 Comment

  1. Van says:

    A verdade é que nem sempre passa, se transforma em outras coisas, se abranda. E isso também faz parte do viver, né?

    ... on July novembro 16th, 2009

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